Agradável conversa

Após alguns blablabla’s de como eu tinha crescido e de como ela lembrava de mim, a amiga da minha vó pergunta:

- Tem namorado?
- Não. [muita vontade de dizer: nem terei, sou lésbica, querida; mas não pareceu um ambiente apropriado]
- Porque? Tu não gosta de namorar?

Falo qualquer coisa que não precisava namorar pra estar bem e que eu tava bem sozinha - o que é verdade, btw. Ao que ela responde qualquer coisa tipo “é, namorado às vezes só incomoda”.

Mais além, no almoço - eu, a mencionada senhora, minha vó e meu pai - ela fala do quanto é bom ver os filhos crescer e blablabla e comenta que meu pai devia tá feliz que já tinha um filho casado, mas que não entendia como ele ainda não era avô. Meu pai, bem educadinho, responde que não é avô porque o filho tem juízo - eu diria que um juízo relativo, mas enfim. Depois ela comenta qualquer coisa que eu também vou casar um dia, eu respondo com um moo, digo, com um não. E ela: “é, mas primeiro tu te forma, né” e eu: “não, não pretendo casar nem depois de me formar” - com um sorriso no rosto, o mais educada possível.

Bom, todo esse contexto pra dizer: porque diabos as pessoas ainda acham que - pra ser feliz, completa ou o que for - tem que ser esse padrão de terminar a faculdade/casar/ter filhos/morrer?
Nada contra quem casa e/ou tem filhos [e/ou morre, ah tri], mas… não preciso de alguém que me sustente [pq, na cabeça dela, provavelmente eu casaria e seria sustentada pelo maridinho, como a maioria da geração dela] e não sou egoísta de achar que seria bom povoar o mundo com mais pessoas parecidas comigo, aquela coisa de ‘uma continução depois que eu morrer’ ou de ter um filho pra me fazer companhia [como já vi muita gente falando].

Vacamodeon, vou tirar a tinta do cabelo.

4 Responses to “Agradável conversa”

  1. Eita,
    esse povo mais tio adora um papo de futuro.
    Papo comum nos encontros de família é o famigerado “E as gatinhas?” perguntados pelos (agora precisamente) tios, quase seguidos de cutucões com o cotovelo.
    Eu tinha um amigo que respondia “Vão miando” a essas perguntas, mas eu nunca fui muito rápido e witty pra responder esse tipo de coisa…
    nhé.

    até mais
    beijo

  2. Pois é, eu casei e todo mundo me pergunta pra quando é o bebê… argh, chega a embrulhar o estômago. Só a minha mãe que me aconselha a nunca ter filhos porque eles “nunca são o que a gente espera”. Hahahaha.

  3. Hah.. Acho engraçadíssimas essas conversas. Sempre falo que não quero casar (juntar talvez) e que, com toda a certeza, não penso em ter filhos. Não que isso sejam coisas certas na minha vida, mas não são prioridades. De qualquer forma é engraçado o jeito que as nossas famílias (conservadoras) se preocupam.

    Terminei um namoro em julho desse ano (tinha começado em abril). Simplesmente o lance não deu certo. Aí quando encontrei minha mãe novamente agora em novembro quando fui passear na minha cidade natal, ela me perguntou seca se eu era homossexual.. Por que, pra ela, “pelo meu visual” e por eu “estar sozinha” tudo leva a crer que sim.

    Esse papo dá até post pro meu blog.. Vou aproveitar pra escrever mais lá, senão o comentário aqui vai virar um livro.

  4. [...] 16, 2007 Estava lendo um post num blog de uma conhecida, quando me lembrei de um episódio que me aconteceu há pouquíssimo tempo. Sobre o post dela, digo [...]

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