Hoje teve a segunda parada gay esse ano [e ainda terá uma domingo que vem]. Fui e, pela primeira vez, participei de fato, fiz toda a volta na Redenção do lado do carro de som e uns amigos.
Enquanto isso, eu pensava em mil coisas a escrever aqui, a respeito da utilidade de paradas gays.
Como não to afim de tentar juntar as idéias num texto mais ou menos coeso, listarei algumas das minhas opiniões a respeito.
• Nos carros - e nas ruas - o que mais tem é travesti achando que é carnaval.
Nada contra travestis, mas… orientação sexual é diferente de identidade sexual, ou seja, parada gay não teria que ser praticamente só travestis nos carros e fazendo shows. E acho que essa junção acaba confundindo muitas pessoas não esclarecidas que acabam por ter idéias tipo: “todo gay quer ser mulher, toda lésbica quer ser homem”, “todo gay é afeminado”, etc.
• Eu até não vi nada demais, mas normalmente parada é associada a sexo e putaria.
Sem a intenção de parecer hipócrita ou conservadora, digo que acho péssimo associar uma coisa à outra porque, assim, contribui praquela idéia - errada, deturpada - de que gays são mais promíscuos. Pessoas são promíscuas - ou não - independente do gênero e orientação sexual.
• É fato que muita gente aproveita a parada pra se soltar e ficar com um monte de gente e poder sair na rua se assumindo sem medo.
Okay, isso é bom, porque, por mais que o preconceito esteja bem menor do que já foi, ainda há e não é nada bom. Mas, ainda acho que deveriam tomar mais atitudes a respeito de tentar ganhar o respeito e aceitação da família, amigos e conhecidos do que esperar por um dia [ou dois, ou três] por ano pra se soltar e ser o que realmente é. [Não vou entrar no mérito de que cada caso é um caso e que cada um sabe de si e do quão difícil é se assumir - tem gente que nem sabe se será aceito e respeitado e vive com esse medo e se escondendo, muitas vezes sem aceitar a si mesmo].
• Muitos heteros por lá.
E muitos que se divertiam, riam de nós. Pode ser mania de perseguição, mas alguns creio que vão só pra rir das fantasias das travestis e dizer: “ó, eu até fui na parada gay, viu como os respeito?” mas depois vai chamar o colega de viadinho porque ele é um pouco afeminado ou qualquer coisa do tipo.
Com isso tudo, não estou dizendo que sou contra parada gay, apenas questionando o quanto essa fórmula [carro de som com travestis e homens de sunga+putaria] ajuda na aceitação e na - boa - visibilidade gay.
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Orgulho gay, consciência negra, deficiente visual, melhor idade etc são termos que mais geram preconceitos do que os fazem arrefecer.
Dão margem, inclusive, a possibilidades que soam bizarras como “orgulho hetero” e “consciência branca”.
Preconceitos de ordem sexual e racial são coisa de gente tacanha; mais tacanho mesmo só dar bola e levar a sério esse tipo de agressão.
Felizmente boa parte da sociedade, mesmo não concordando, passou a aceitar com alguma naturalidade os homossexuais. Qualquer tipo de agressão ou preconceito agora não é mais motivo de parada ou passeata, mas caso de polícia.
O Pato disse tudo, esses termos de orgulho gay, orgulho negro, pra mim são pejrativos e excludentes, as pessoas devem ter orgulho de ser pessoas, simplesmente. Mas acho a parada gay válida.
Na realidade vamos comentar do que tinha de bom, o protesto contra as duas paradas. Só um grupo teve coragem de sair as ruas com uma faixa “JUNTOS FAZEMOS A DIFERENÇA BASTA DE DUAS PARADAS”
Espero que a comunidade LGBT comece a se antenar contra os oportunistas que se autopromovem com o movimento, como o Nuances vem fazendo a muito tempo, pois continua lutando para que não seja construída uma parada coletivamente.