Leitura de banheiro: IstoÉ

Fui ver qualéquiera da reportagem da capa (”A ciência do amor: por que precisamos de um romance para sobreviver”) da Istoé, ano 31, n. 1996, 6 fev. 2008, p. 44-55.
Comecei a folhear e só achava referências a casais heteros, claro. Já pensava comigo mesmo: idiotas — pra resumir em uma palavra.
Daí chego na p. 52 e o título: “Com os GAYS (sic) é diferente?: pesquisas revelam que nas relações homossexuais há mais cumplicidade e tolerância às diferenças” e pensei: okay, se redimiram — até porque seria ridículo demais nem mencionar algo tão, no mínimo, comum. Boazinha a reportagem, nada demais.
Página seguinte: “Meu primeiro amor: por volta dos dez anos o interesse pelo sexo oposto desperta e, junto com ele, vem uma avalanche de emoções”. Ca-ga-ram-tu-do.
Tudo bem que não é super comum — a julgar pelas histórias que conheço, e pela minha própria — que crianças na faixa dos dez anos já percebam que gostam de pessoas do mesmo sexo. Mas isso se deve mais ao fato do modelo hetero predominar em casa, na rua, na escola, nas propagandas e novelas do que ao fato de só depois essas crianças “virarem” gays.
E isso me irrita tremendamente; porque se tu vai argumentar isso com algumas (várias) pessoas, elas vão dizer que é um “horror” dizer isso: ‘magina que aquela criancinha bonitinha e fofinha que tá brincando com os coleguinhas é gay?

Lembrei de uma janta na casa de parentes [não lembro se postei a respeito e to com preguiça de procurar], onde tavam falando de fulano e ciclano terem que dormir no mesmo quarto em uma viagem, e o quanto seria ruim. Daí alguém comentou que um deles talvez fosse gostar — insinuando que fosse gay. E minha vó: “Que horror, não fala isso dele. Tadinho”. E eu: “‘Tadinho’ porque? Pode ser que ele não seja gay, nem é essa a questão, mas porque não achar q ele poderia ser e que isso seria ruim?”.
Daí minha mãe me cutuca, com cara feia e diz pra eu parar.

Não dá nem pra argumentar com essa gente.

14 Responses to “Leitura de banheiro: IstoÉ”

  1. Não adianta, as coisas acontecem paulatinamente, mesmo. Nem te gasta discutindo.

  2. Apesar de tudo, eu vou continuar discutindo sim. Não aguento ver essa ignorância (no sentido literal, de ignorar) na minha família.
    Um dia eles aprendem.
    Até porque ficar quieta não adianta nada também.

  3. Essa história de crianças gays tem um capítulo muito interessante, tu deve até conhecer.

    Fizeram uma campanha publicitária que mostrava crianças e, ao lado, faziam uma referência à preferência sexual da criança, querendo argumenta qualquer-coisa-etc-bla. Tipo “ser gay é natural”.

    Enfim.
    Baniram. Claro, porque crianças são seres angélicos sem interesses homos/sexuais.

    Fico devendo a informação completa, mas eu também tenho preguiça :-)
    F.

  4. Eu to ligada!
    E o mais interessante é que eram fotos de adultos gays quando criança. OU seja, nem tavam “”"falando mal”"”, porque, de fato, a criançinha É gay.
    Acho que era no Brasil, não?
    Também não lembro direito :P

  5. Eu acho que ou tu está enganada ou eu tenho problemas graves. Eu acho que TODAS as crianças são assexuadas. No máximo batem umazinha.

    Por crianças, entenda seres menores de 6, 7 anos.

    Depois disso a gente começa a ter noção de sexualidade… E só tendo noçào de sexualidade para ser hétero, homo, bi ou uma alface ;p

  6. É por isso que eu não gosto de jornalismo convencional… Eles sempre cagam em tudo. Concordo com a Carla que crianças (menores e 7, 6 anos) sejam assexuadas e não tenham mesmo noção das coisas.

    Até mesmo dos 10 aos 13 anos é meio difícil ter certeza de qualquer coisa. Mas se depois dos 13 a pessoa “ainda não se achou”, acho que aí sim, definitivamente, ela vira uma alface.

  7. Pode ser… mas eu acho engraçado que, mesmo as pessoas tendo essa opinião de que as crianças são assexuadas, chegam pro(a) filhinho(a)/sobrinho(a) e perguntam se tem namoradinha(o); ou a própria criança (de menos de 6, 7 anos) chega e diz q tem namoradinho(a).
    Por que?
    Porque, se for no modelo hetero, beleza! Agora, se foge desse modelo estabelecido e dito como “normal”, já dizem que são assexuados.
    Eu acho uma grande hipocrisia e falta de consistência, se querem saber.

  8. [...] discussão começou aqui. Eu ia só fazer um comentário no post dela, mas decidi fazer via post aqui quando percebi que o [...]

  9. Eu venho por meio deste comentário dizer que discordo do Derbi.

    Os psicólogos e psiquiatras que exergam sexualidade em chupetas na boca estão com falta de p*rra na boca, isso sim ;p

    Sério, nada me irrita mais que essa abordagem freudiana de fases oral / anal / whatever.

    A maioria dos problemas das pessoas não é falta de coçar a bunda quando bebê, sim por ter pais idiotas que ficam perguntando por namoradinhos(as).

    Claro que eu concordo com a lilly, ridículo ficar perguntando de namoradinhos pras crianças. De qualquer sexo.

    Tanto que crianças de determinada idade começam a achar nojento qualquer contato que lembre sexual, com amiguinhas ou amiguinhos (não me abraça / beija / éééca!). Antes eles não dão bola, depois se ofendem (começam a ter alguma noçãozinha) e finalmente se rendem e viram adolescentes. Droga. Crianças são fofinhas. Vou virar uma alface.

  10. Ops, acabei de perceber que não posso virar uma alface. Infelizmente, não é uma questão de escolha :/ (não é ironia, é sério!)

  11. Discordo veementemente da srta Carla “Puny” Castilhos!

    Crianças tem sexualidade sim! E é beeeeem forte! Só que não é direcionada como a adulta. Também não concordo muito com as categorias que os pedago/psico/psica/psiqui impõem. Mas acho que a existência de uma sexualidade básica e bem atuante no comportamento infantil é indiscutível. Eu acho até mesmo que crianças tem uma sexualidade bastante anárquica que mais tarde só se torna controlada e focalizada.

    Não acho que sexualidade seja uma coisa suja que anularia a fofura infantil, elas continuam sendo fofinhas, mesmo tendo libído.

    Quanto as reações infantis de repúdio ao sexo oposto, não acredito que sejam movidas por nojo legítimo, acho que é aquele impulso de afastar o que atrai, é um começo da percepção das diferenças e o velho medo e fascínio do diferente. Tanto é, que mesmo não brincando juntos, meninos e meninas não se ignoram e precisam estar sempre “implicando” um com o outro e cedo ou tarde rola uma paixãozinha platônica.

    Acho que qualquer intervenção adulta com a finalidade de “orientar” a sexualidade das crianças é pior do que ridícula, é nociva. O processo é natural e não precisa nem de manual nem de intrutores. No máximo cabe aos adultos não permitir que a influência da mídia ou da sociedade acabe determinando isso de forma unilateral.

  12. mais tarde eu faço um tratado sobre a sexualidade das alfaces!!

  13. [...] Essa notícia complementa esse outro post. [...]

  14. Só pra constar:

    Apesar de ainda não conhecer nenhuma definição ou o que isso significava, e nem mesmo ser conciente do fato, aos sete anos eu eu já era gay… Já sabia que as meninas não eram tão interessantes quanto os meninos, já achava homens bonitos, já reparava neles na praia, etc…

    Dizer que crianças são assexuadas é fazer o mesmo que a reportagem (ou a avó da Lilly); capaz que esse ser fofinho vai pensar em bobagens como essa…

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